Tuesday, December 28, 2010
Monday, December 27, 2010
Sunday, December 26, 2010
In translation
«Vocês os dois ficaram lost in translation», dizem-me, não é uma alusão ao filme, mas podia, não sabem que ela tantas vezes confessou que sentia exactamente como aquela rapariga e desejava um segredo puro dito a um único ouvido, um segredo que não ouvíssemos, o tédio feliz e lasso das noites de Tóquio, nós a dormirmos na mesma cama sem nos tocarmos. «Lost in translation» porque não comunicamos na mesma língua, ela fala uma língua pragmática e exasperada, decidida e inquieta, eu uso uma língua idealista e seca, exaltante e hesitante, que nunca se encontram, nunca se equivalem, e eu penso à noite, talvez ela pense também, que vida seria essa, que vida teria sido a nossa, se alguma vez tivesse havido uma vida que fosse nossa? «Vocês os dois ficaram lost in translation», dizem-me, que resumo tão certo e triste.
Pedro Mexia
Friday, December 24, 2010
Wednesday, December 22, 2010
Durante todo este tempo fui inventando prolongamentos e adiamentos, quando na verdade tudo estava concluído. E eu, em negação, pedia um sinal definitivo, ainda mais definitivo, como um homem que pedisse um sinal a Deus, quer acreditar mas não aguenta tanto silêncio, ou nunca acreditou de todo e desafia deus. E nada acontece. Talvez isso não prove nada sobre Deus, mas prova alguma coisa sobre o homem? O homem também tem que se manifestar, tem que se manifestar a si mesmo, não aparecendo do nada mas escolhendo uma vida. E ainda não sabemos se escolheu a liberdade ou o desespero.
Pedro Mexia
This never happened
Get out of here and move forward. This never happened. It will shock you how much it never happened.
Don Draper
Monday, December 20, 2010
Felizmente
Todos nós (ou quase todos) devemos um dia ter acreditado que amar sem sermos correspondidos seria melhor do que perder a pessoa amada. A estúpida ideia do "gostar pelos dois", como se o sentimento que temos dentro de nós fosse tão grande que nos permitisse ultrapassar o facto de não sermos retribuídos. Como se manter aquela pessoa a qualquer custo compensasse tudo o resto. As faltas de atenção, as declarações nunca feitas, o desinteresse, o olhar perdido no infinito. Há-de melhorar, dizemos para nós, há-de aprender a gostar de nós. Como se se tratasse de uma questão de treino e insistência. Infelizmente não é. Felizmente acabamos por percebê-lo.
Câmara de espelhos
Muitas vezes são as omissões as que dariam um sentido novo a factos que parecem não ter mais que apenas um motivo. A verdade é que vivemos numa câmara de espelhos na qual tudo se reflecte em tudo e em que tudo é, por sua vez, o reflexo de si mesmo. Quando nos pintam apenas uma imagem sem ter em conta o espelho, essa imagem está incompleta.
José Saramago
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