Monday, September 20, 2010
Sunday, September 19, 2010
Foi um momento
Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não ?
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não ?
Não sei.
Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve !...
Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve !...
Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa
Incompreendida...
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa
Incompreendida...
Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
'Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço ?
A tua mão
Senti pousando
'Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço ?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.
Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.
- Fernando Pessoa
Saturday, September 18, 2010
Friday, September 17, 2010
Amor - Ódio
Repara no sol e como agora lhe sou tão alheia. Cheiro o teu espelho a rir-se de ti: cabelo despenteado e esfregar de olhos. Odeio-te. E tenho-te raiva. E tenho em mim o despertar miudinho de um sentimento interior contido. São assim os seres humanos: um orgulho tremendo em ser amado e um medo terrível em abrir a pele. Gosto do teu riso, principalmente quando é o verdadeiro, e, ao mesmo, nunca sei que o é. Sou controversa. Odeio-te, a ti, por esse meu quebrar de alma. Caco a caco vou repudiando o que és, na ânsia de te abraçar. És a única pessoa com quem perco as palavras. Conheces a sensação? Não as tenho, num mundo tiranizado em que eu falo, falo, falo, me enrolo em vírgulas e parto paredes com os meus pontos de exclamação, apenas te consigo chicotear a interrogação e, na maior parte das vezes, faz ricochete. Felizes eram os dias de marisco e pôr-do-sol, em que eu era eu, connosco, e tu apenas me fazias rir. O que é, quem é, o intervalo entre o que queremos e o que acontece? Guerras internas que queria poder atirar a ti, mas na verdade apenas me atiro por entre o branco do teu riso e o moreno da tua pele.
- Nádia
"Pensar é o que há de menos saudável no mundo, e morre-se disso como de qualquer outra doença."
- Oscar Wilde
(Só para imitar)
Thursday, September 16, 2010
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
- David Mourão-Ferreira
Wednesday, September 15, 2010
Tuesday, September 14, 2010
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