Wednesday, November 25, 2009

Odeio o Natal


Odeio o Natal, as prendinhas obrigatórias, as falsas caridades, as futilidades, as publicidades estúpidas a tentar vender tudo e mais alguma coisa, as criancinhas a fazerem birras porque querem o brinquedo não sei das quantas (e nem imaginam que há quem morra de fome...), o stress, a confusão... Não era suposto ser uma época de mais calma? Em vez de ser uma época focada na família e na união, o Natal passou a ser uma fútil e banal época de compras. Bah.

Tuesday, November 24, 2009

Clarice


Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro…

Clarice Lispector

Wednesday, November 18, 2009

À espera que venhas um dia

Já passei a fronteira do todo

Nada é novo para mim

Já nada me faz delirar

Tudo tem o mesmo fim

Eu já não sinto saudade

Eu agora sou assim

Só quero um pequeno lugar

E lá plantar o meu jardim


Vem que eu enfrento contigo

A tensão do nosso tempo

Faz-me tu uma surpresa

Enquanto eu ainda aguento

Vem senão eu enlouqueço

Dentro da monotonia

Vem porque eu ainda vivo

À espera que venhas um dia


- Fernando Girão

Monday, November 16, 2009

Blow

Como é possível que as pessoas ainda não tenham percebido que a vida é um sopro?

Para que criam desentendimentos desnecessários? Para que ficam a lamentar-se à espera de milagres se não fazem nada por elas mesmas? Porque não dizem e mostram mais vezes quanto gostam das pessoas? Porque não complicam menos? Porque não são mais honestas com os outros e com elas mesmas? Porque não lutam? Porque não riem mais? Porque não procuram o lado positivo? Porque não cometem pequenas loucuras? Porque não arriscam?

Porque não vivem?

Thursday, November 12, 2009

Quem é que tem coragem de ainda não estar no banco de doadores de medula?

Tuesday, November 03, 2009

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."

Fernando Pessoa, in "O Eu Profundo"

Sunday, November 01, 2009

Tudo é foi

Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.

Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.

Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.

Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.

Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.

António Gedeão